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terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Sofia e a Batalha da Couve

Neste fim de semana existiu um outro evento, que realmente me machucou, decidir postar depois. Este é mais leve.

A Carla vivencia a guarda compartilhada. As responsabilidades sobre o Enzo são divididas com o pai.
Meu caso é um pouco dierente. A mãe da Sofia não mediu e não mede esforços para me alienar e conseguiu bom apoio da escola e uma colaboração consistente por parte do judiciário. Apesar disto, com o tempo e contrário aos interesses manifestos pela mãe, as coisas vão se ajustando em benefício da Sofia.
Atualmente a Sofia ainda não passa metade do tempo comigo, apenas um terço dele, mas os recursos jurídicos para ajustar isto estão em andamento.
Nossa rotina aqui em casa é composta por dois tipos de fim de semana:
  1. Casalzinho.Quando estamos sós, eu e a Carla, investimos mais na nossa convivência de uma relacionamento de 2 anos.
  2. Família.Quando estamos com as crianças é programação voltada para elas. Sofia com 4,5 anos e Enzo com quase 9.
Neste domingo foi uma exceção. A Carla viajou para um congresso, o Enzo ficou com o pai e fiquei junto com a Sofia. Momentos raros, na verdade.

Ums amigos que almoçariam conosco desmarcarm, na última hora, e eu fui fazer nosso almoço.
A Sofia sentou-se e no primeiro olhar lançou uma cara de desprezo, apontou para a couve e disse:
- Não quero isto.
Putz?! E agora.
Minha visão de alimentação adequada é fortemente influenciada por duas correntes:
  1. A Dieta do Paleolítico
  2. A visão do Pântano
O item um tem um bom texto no link. Merecendo apenas uma correção. O uso do fogo não coincide com a revolução agrícola (10.000 anos), é um pouco antes.
O segundo é um post que já fiz, mas decidi ainda não publicar aqui ainda. Resumidamente trata da dificuldade de se ter fortes certezas. Neste ponto significaria uma tendência em se adotar, também, o conhecimento convencional. Sigo isto pela total incapacidade de descartar este conhecimento, mesmo quando existe a desconfiança da fragilidade de sua sustentação por bases teóricas e/ou experimentais. Mas como estamos pântano e as convicções são difíceis...pode ser melhor não arriscar.

Temos um disputa neste item aqui: os vegetais.
A Carla, por um critério que ela ainda não foi capaz de sintetizar, entende que legumes definem a fonte suprema do projeto de uma boa alimentação.
Eu, por questões de paladar e por ter uma dificuldade em ver a diferença alimentar definida pelo criador, prefiro o consumo de frutas.
O debate continua, trocamos periodicamente sorrisos e farpas e fazemos as crianças comerem ambos.
Ah, sim...Eu compro e as crianças consomem mais frutas que legumes. :-)

Mas neste domingo a Sofia foi categórica. Nada de couve.
Antagonizar um trocinho de 4 anos não seria a melhor maneira de usar o, já pouco tempo, que passamos juntos.
Por outro lado eu tenho a obrigação moral em educá-la. Educação alimentar é, por definição, educação.
Como a mãe mantém a coerência não compartilhando NENHUMA informação que não seja estritamente necessária comigo...
-Sofia. façamos o seguinte. Coma o que e a quantidade que você quiser. Depois é só colocar o prato na geladeira, ok?
A Sofia sorriu o sorriso dos vitoriosos. Caminhou e colocou o prato, quase cheio na geladeira.
Assistimos um desenho juntos e ela foi assistir outros desenhos em outra TV.
Uma hora depois ela volta:
- Papai, vamos fazer um lanche?
- Claro Sofia, venha comigo.
Peguei o prato e coloquei sobre a mesa.
Fui interrompido com..
- Não, papai. Eu quero lanchinho.
Sempre sorrindo:
- Não. Venha comigo. Isto é o micro ondas. Aperte este botão, 1 minuto. Aperte também este botão, o Ligar. Quando terminar é só tirar o prato. Mas cuidado com o calor.
A Sofia reclamou, fez beicinho. Marcou uma posição inegociável em não comer a couve.
Perguntei se ela tinha o telefone do amiguinho que fazia aniversário no domingo, pois teríamos que avisá-lo que ela não poderia comparecer à festa.
Pronto. Comeu tudo. :-)
Após terminar ainda puxou pela minha mão para jogarmos WII juntos.

Por causa do pântano não é fácil saber se ajo certo ou não.
Minhas tentativas de me avaliar pelas opiniões dos outros conduzem a um cenário bipolar:
  • sou tanto inflexível e tirânico
  • quanto sou mole e manipulável
Definitivamente é a vitória do Pântano.
Enquanto isto tento fazer o meu melhor.

Neste domingo aprendi uma lição:
"A couve fica!" :-)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Terapia para quem tem fome

Existe o mito do homem macho. Não sei se é um mito latino, se é ocidental, universal ou se apenas uma piada que ainda possui seguidores que a levam a sério. Apenas sei que existe.
Este modelo define vários comportamentos esperados. Macho não faz isto, macho faz assado, macho assim, macho lá...

Macho não se abre. Macho não precisa lidar com sentimentos.

Bem, não estou certo se isto faz realmente sentido, mas se fizer já optei por ser macho meia-boca.

Não sei como é o universo neurótico dos outros, mas o meu é bem conhecido por mim.

Desde que me entendo por gente, talvez lá pelos 8 ou 9 anos, lembro de reflexões sobre o sentido da vida e o significado oculto dos eventos. Oculto sim, pois aquela baderna deveria ter algum significado.

Ótimas épocas as que ainda malhava filosoficamente.
Era uma crença que fazendo uma certa força eu me aproximaria da verdade, por lógica existira um volume de esforço, diferente de infinito, que me traria a verdade verdadeira. Fácil não. Era só uma questão de esforço e tempo.
Como cheguei à terapia.
Pois bem, por pancadas:

Pancada 1
A mãe da Sofia pede e sustenta o fim do relacionamento. Putz, não foi fácil. Sem conseguir definir agora a razão do procedimento que eu adotei, eu o adotei.
Primeiro as mãos, depois molhe os pés e então mergulhe na água gelada.
Nada disto. Entrei com tudo. Sofri. Sofri muio e sofri rápido. A profundidade do sofrimento não é visível aos outros, já o tempo é fácil de ser medido. Desta forma recebi críticas pela velocidade, mas ninguém avalia a intensidade do sofrimento.
Críticas, veladas é claro, vieram até da equipe técnica do fórum. Aquela que o estado coloca para legitimar sua decisão, seja lá o que o estado decida fazer na tua vida privada, quando existe um conflito judicial e um criança envolvida.

Neste momento uma amiga me pressionou: "Vá fazer terapia".

Nada disto. Gerencio minhas crises. Choro na boa e nunca perdi 2 noites consecutivas de sono.

Crise superada, bola rolando no campo.
Não éramos mais uma equipe, então eu tinha que fazer de tudo.
Só o café da manhã, levar a creche, brincar diariamente e um banho eventual não eram mais o suficiente.
Tinha que gerenciar as necessidades da Sofia.
Ok, sem crise, mas com alguma tensão...
Um problema por vez. Foram muitos e bastante gratificantes.
Como eu sempre digo: "Vim para me divertir".
Sempre me diverti com a Sofia.
Transformar a troca da fralda suja em brincadeira não foi difícil.
Sofia ria...

A crise passou. Sofia premiava-me periodicamente.
É difícil eu acreditar que ela não sabia o que acontecia na época.
Como uma criança de apenas 2 anos pode adotar uma sequencia de comportamentos motivacionais como ela adotou. Bem na época onde eu realmente precisava disto, já que a mãe deixara claro que não esperava nada de mim. Numa frase: "Pode ir cuidar da tua vida que da Sofia cuido eu."

Sem rancor, ou mesmo desconforto, tudo se rearranjou.
Ou eu acreditava nisto.

Pancada 2
Aí, a mãe da Sofia, ao completar seis meses de separação, decidiu brigar.
Sejamos claros, seis meses depois a importância dela na minha vida já tinha sido substancialmente reduzida, até por consecutivas decisões dela própria. Sem mal estar, mas de forma bem realista, ela optou por ser "uma amiga distante". Até aquele momento.
Mas ela usou a Sofia. Todos sofremos e Sofia teve uma crise.

Minha filha sofrendo, a genitora assistindo a tudo. Tendo a frieza de registar o problema por escrito na comunicação com a escola, que também registrava isto e priorizando o conflito criado por ela ao bem estar da criança. Uma criança de 2 anos e 4 meses.
Neste momento a minha amiga me pressionou: "Vá fazer terapia".
Aí sim, fui fazer terapia. Fiz isto na esperança de não fazer outras coisas.

Então temos o estado. Ele chegou, definiu que a mãe estava certa. Confirmou numa sentença parte dos desejos dela, que pediu visitas quinzenais de 1 hora supervisionadas e definiu as condições de convivência entre o pai e a criança quinzenalmente e pronto. Outro post.

Passeando por aí, na blogosfera, achei isto:
"Por que o Brasil que é conhecido pelo seu povo cordato, cordial, não belicoso, se tornou um povo de elevada violência? Uma pesquisa do Journal of the American Medical Association mostra o porquê..."
Como reduzir a violência no Brasil.

Esta abordagem é clássica, acho que dispensa a defesa da ideia.

Considerando:
  1. o sofrimento causado à Sofia
  2. o planejamento e a execução dos planos da mãe, cuja prioridade era algo, mas não a criança
  3. a incapacidade do estado de socorrer quem precisava de ajuda
Hoje tenho uma amiga terapêutica que conversamos.
Toda a semana eu decido parar a terapia, mas prossigo.
Talvez seja na próxima semana. :-)

Já levei umas 3 pancadas boas dela. Ela, obviamente, acha que o nº é maior.
Certamente ajuda na reflexão, mas como disse, estou quase parando. Fazem meses que acredito nisto.

Várias questões sobre a educação da Sofia, nossas rotinas, opções de modos de agir, reinterpretações dos eventos e outras coisas, fazem parte da nossa conversa semanal.

Nunca gostei desta ideia: fazer terapia.
Na verdade ainda não sei se gosto, mas tem sido útil.

Algumas ideias ruins continuam sendo discutidas e manter a discussão eu vejo como algo saudável.

Muito saudável para a Sofia, que toda semana participa, como assunto, das conversas.

Existem vários motivos para se pensar nisto.
Avalie, você que está em meio a uma crise. Poder ser um instrumento muito útil na gestão da crises.
Principalmente se a tua prole cair na classe definida judicialmente:
"Filhos de pais párias"
Pai aqui é gênero masculino mesmo.
Pai pária é 100% dos pais, homens, separados que não decidiram abandonar a prole. Deve ser um tipo de crime, pois os estado desestimula objetivamente a continuidade do pai no seu papel após a separação. Mas não espere ver isto escrito ou dito objetivamente. O cinismo é enorme. Em todas as instancias do judiciário.

Por recomendação da equipe técnica do Forum, eu procurei uma ONG, que também fez contato com a mãe da Sofia.
Mais uma vez eu afirmei:
"A mãe da Sofia não tem interesse no diálogo. O estado premia sua beligerância e ela sustentará esta posição enquanto a percepção de ganho superar o risco de perda. O estado tem feito um ótimo trabalho neste área, infelizmente contra a minha dignidade como cidadão e agredindo os reais interesses da Sofia."
Outras profissionais que ficaram indignadas com a aspereza da minha declaração.

A mãe da Sofia disse, mais uma vez, que não se interessaria no processo de conciliação. Surpreendente, não?

Ok, ganhei outro espaço terapêutico. A equipe que trabalharia no processo de mediação tornou-se uma equipe terapêutica.
Não com um profissional, mas agora com 6.

Surgem algumas questões:
  1. Será que o suporte social na Suécia tem este nível de apoio que eu consegui? :-)
  2. Será que eu conseguirei transportar este nível de apoio para os interesses objetivos da Sofia?
O tempo passa...
O grupo me dispensa, por ser pouco útil a abordagem apenas comigo.
Ok, mas também se recusa a me dar por escrito qualquer coisa, nem mesmo um registro que a mãe não teve interesse o diálogo. Se ainda insisti no ponto abordando que estaria dentro dos limites da "Mediação" uma declaração de não comparecimento da outra parte, ouvi que o trabalho deles, apesar de usar parte da metodologia, não se comprometia com ela na plenitude... :-(

Enquanto sito...
Sofia cresce, fica linda, torna-se charmosa e tem uma gargalhada fantástica.
Coisa de louco. :-)

    quinta-feira, 1 de setembro de 2011

    Rotina, isonomia e o melhor para o menor

    Repentinamente fui exposto a expressão segurança alimentar.
    Foi no início da gestão Lula.

    Como ex-vegetariano, esta expressão tinha um outro significado para mim.
    Significava a capacidade de garantirmos a segurança dos alimentos aos consumidores.

    A segurança concreta não existe.
    Ela baseia-se apenas na história de uso. Nas referências entre alimentos e consumo. Normalmente da pessoa. Não existe como antecipadamente garantir que um alimento não fará mal à um indivíduo, mas usamos altas probabilidades de sucesso para cunharmos uma afirmação que se mascara de certeza:
    -Claro que feijão não fará mal a você.

    Recentemente esbarrei num caso de uma mulher que comeu uma fruta não muito comum em grande quantidade e sofreu um acidente vascular dirigindo horas depois. Ela tinha uma dificuldade em metabolizar uma substância específica da fruta. Obviamente só foi descoberto por ter acontecido num país rico.

    Resumindo:
    Não temos condições de afirmar que um certo alimento é seguro para uma pessoa específica. Mas a chance de problemas é pequena se um grande nº de pessoas estiver consumindo este alimento por bastante tempo. Chance pequena não é certeza.

    As decisões sobre como educar as crianças não estão muito melhor.
    As nossas melhores ideias hoje são fruto do que já funcionou no passado. Apenas isto.
    Se uma população, ou uma pessoa, come feijão há muitos anos, a segurança disto é provada pelo uso. Não certa, probabilisticamente.

    Crianças, hoje em dia, são criadas por seus pais.
    O modelo seguro de criação de crianças é a família.
    Abordagens criativas, como a de Esparta, são vistas hoje como uma curiosidade histórica.

    Este modelo seguro, ou pelo menos tradicional, tem sido posto a prova.
    Nunca antes o nº de famílias desfeitas foi tão grande.
    Não como evento, mas agora como linha mestra.
    Famílias não estão se desestruturando por causa de uma guerra, estão por causa da busca da felicidade por seus componentes.
    Desestruturando ficou meio forte, não é? Reestruturando fica melhor, já que uma família não acaba, assume outras formas.

    Nesta realidade de muita configurações familiares aceitáveis temos alguns dados que impressionam.

    Acabou. O compromisso entre os dois adultos acabou. Com eles existe uma ou mais crianças.
    O casamento é algo tão pesado que são necessários duas pessoas para suportar.
    O que acontece?
    Encontra-se um cenário onde existe apoio institucional às pessoas durante esta crise. Todos são esclarecidos sobre o desdobramentos de suas decisões. Recebem a orientação sobre o que é esperado no que tange os menores e aos menores sobre a nova situação, onde são amados, mas que os pais não mais morarão juntos. Todos entendem o fim da relação marital e a continuidade da relação parental O comportamento saudável de todos é premiado. Onde o comportamento equivocado é punido claramente e todas as discussões e decisões são feitas às claras.
    Só se for na França, aqui é um pouco diferente...

    Apoio do estado? Continue lendo o texto.
    Digamos que tudo fechou bem...
    Assim que surge o contato com o judiciário alguém te avisa que acordos feitos fora da audiência não são tidos como válidos.
    O que isto significa? Que acertos rápidos, normalmente que preservam as crianças de algum desgaste só passam a ter algum valor se o judiciário aprovar.

    CSI nos números
    • 95% das guardas ficam com as mulheres.
    Ok, é um estatística ruim, mas deve ser contextualizada. Representaria a forma que a sociedade é. Apenas isto. É de se esperar que o judiciário representasse a realidade, a modificasse de forma apenas marginal. Analisando os números..

    • 100% das disputas civilizadas de guarda onde os pais possuem situações equivalentes ficam com as mulheres. Pronto, agora caiu a máscara.

    100% não tem desculpa. Não rola explicação. Vou repetir: 100%. Vamos tentar algumas explicações:

    1. Tudo bem..Advogados são de humanas, mas espere aí...Isto não é uma integral de linha. Percentagem é aritmética básica. Não se explicaria isto assim. :-)
    2. No texto da lei temos a Isonomia. É apenas o contrário disto. A explicação não sai pela lei.
    3. O modelo de educação exige e cada vez mais expõe a importância do pai. Não sai pelo tecnicismo. Nenhum profissional embasaria a decisão do judiciário com um parecer do tipo: "O pai é secundário". Não sai pelo tecnicismo.
    4. O pai ser um pária é "O melhor para o Menor". Não se sustenta. Cede inevitavelmente ante os pontos 2 e 3 acima. Não tem tecnicismo que embase isto, nem o texto da lei, nem a estrutura da nossa civilização.
    Ok, o besouro não tem como voar. Todos sabemos disto, menos o besouro. Ele insiste em continuar voando.

     Se a realidade é tão gritante, se nada sustenta a situação atual, como é que o judiciário consegue sustentar 100%? Sem pudor, sem constrangimento, sem culpa?

    Agora o STJ descobriu o óbvio.
    Estranhamente a juíza da vara de família onde fomos desrespeitados, eu e a Sofia, não concordava.
    Torço que o TJ-RJ tenha chance de ler o link acima antes de decidir o nosso caso.

    Descobriu-se que o conflito entre os pais não poderiam ser usado como é.
    Outros comentários em outro post.

    domingo, 14 de agosto de 2011

    O imaginário da Sofia e a Verdade Verdadeira (Alto Clero)

    Agora pegou.
    Qual a importância do mito de Deus na construção de realidade de uma criança?
    Sejamos objetivos: Não faz diferença a pergunta sobre a existência ou não de Deus. Não é esta a questão que persigo aqui.
    O ponto central são os benefícios da crença dele na vida das pessoas.
    São os benefícios decorrentes das referências morais que Deus conseguiria facilmente trazer para a sociedade e, em especial, para a Sofia.

    Quando conheci a Carla, minha esposa, sua posição era bem clara. O conceito de certo e errado deve ser passado à criança independente do conceito do sagrado. Certo é certo, errado é errado. Nada de papai-do-céu gosta ou deixa de gostar.
    Apesar da argumentação ser clara e objetiva, eu não consigo incorporar este conceito na minha visão de atuação. Ainda carrego uma visão do uso do divino na modelagem do comportamento da Sofia.
    Conversei com alguma pessoas e o consenso não é natural. De um amigo ouvi:
    "Religião é que nem bebida: pode ser legal em alguns contextos, mas é intrinsecamente desnecessário. Em qualquer idade.
    O melhor é não deformar a visão de mundo da criança. É um inferno suportar a dissonância cognitiva. Pode ser uma pessoa normal, com religião como coisa eventual. Ou pior pode ter a vida destruída. Como falei, assim como a bebida."
    Posição forte, exagerada em alguns aspectos, mas não sem fundamento.
    De qualquer forma, estamos no Pântano. Outro post.

    Qual a melhor escolha para conduzir a Sofia?

    Adoto o discurso sobre os desejos e vontades de papai-do-céu ou sustento um discuso secular, tentando evitar o confronto com o resto da realidade a sua volta?
    O que não seria fácil.  Todos se despedem com um "Vá com D´us".  :-)
    Como uma piada antiga: "Ninguém respeita o pobre do ateu".

    Não me imagino fazendo proselitismo para uma criança. O objetivo de estabelecer uma abordagem crítica da realidade desde cedo não significaria a pregação de uma ideia, mas sim de um processo de como pensar.
    Já explorei com outros que o exemplo dentro de casa é muito superior ao discurso sobre o mesmo.
    Desta forma o importante é estabelecer uma rotina critica, gentil e suave, mas crítica quanto a realidade.

    Tentar fazer isto e ignorar o espaço que o divino ocupa tem sido um grande esforço, veja aqui os primeiros passos.

    E agora. o que faço?

    segunda-feira, 8 de agosto de 2011

    A Sofia e a Vaidade

    A Vaidade está na lista dos Pecados Capitais. Modernamente isto não significa muito, somos hoje uma sociedade muito mais humanista que cristã. Sei que esta afirmação tem um grande poder de chocar, mas não sou eu, trata-se apenas de uma observação da realidade. Muitas das qualidades que hoje os discursos religiosos propagam como cristãs seriam rejeitadas pelo cristãos primitivos.

    Período de férias e agora com a publicação da decisão judicial, a mãe da Sofia não possui mais o poder de interferir nas nossas.
    Minha irmã veio para viajar conosco e, numa noite ociosa, resolveu fazer uma escova na Sofia.
    Vamos posicionar algumas coisas: Sou homem, tenho um conjunto de interesses, assuntos que chamam a minha atenção. Nunca entendi o significado de "fazer uma escova' como sendo algo diferente do processo industrial de construir um apetrecho". :-)
    Andei tendo algumas aulas sobre o significado feminino de "fazer escova" depois deste evento.
    A Sofia tem um fenótipo de morena. Resultado das raízes africanas de ambos os pais. Não o suficiente para entrar na cota racial, entretanto.
    Após a escova assistimos a Sofia fazer poses de modelo em frente a um espelho.
    Muito linda a minha pequena esboçando sua vaidade.
    A cidade de Arraial do Cabo possui praias lindas e as crianças adoram lá. Da ultima vez a mãe impediu a ida da Sofia e o Enzo se virou fazendo uns amiguinhos no hotel. Já a Sofia ficou com a mãe no apartamento. Desta vez foi ótimo.
    Lá pelas tantas a Eloiza, minha irmã, sai com a Sofia para fazer umas compras e descobrimos que as compras eram num Salão de Beleza. Quando chegamos a Sofia estava durinha numa cadeira com uma profissional segurando uma escova que gerava calor. Diversas perguntas sobre segurança, faixa etária e decidimos permitir que ela terminasse o que já estava pela metade.
    Os olhos da Sofia brilhavam ao contemplar o cabelo em frente ao espelho. Impressionante sua satisfação em dizer um simples "Não" balançando a cabeça.
    A Sofia ganhou um cabelo novo, e nós uma nova tarefa semanal. Tarefa esta que eu ainda não sabia exatamente qual é, mas sabia que se tratava de uma manutenção no cabelo dela.
    Aguardamos apreensivos pela a reação da mãe. No passado ela foi convidada a ir num salão conosco para ver o cabelo da Sofia, mas duvido que se lembre disto.
    Enquanto isto, a Sofia disse que adotará o nome de Julieta, para que ninguém a reconhecesse quando voltasse às aulas.
    Passei as orientações para a mãe e ela firmou posição que isto seria exclusivamente responsabilidade minha, ela não faria nenhuma tarefa que envolvesse o cabelo da Sofia.
    Minha esposa fez todo o procedimento neste fim de semana com o meu acompanhamento. Pronto virei cabeleireiro exclusivo. :-)

    Deixei agora a Sofia na porta da escola e ela despediu-se dando um beijo demorado na minha face. Como cheirava bem a pequena. Era a hidratação da tia Carla.

    Sei não, existem momentos em que vejo como sob ameça o projeto do convento.  :-)

    segunda-feira, 13 de junho de 2011

    Bebê, Criança, Menina, Mulher: Sofia

    Faço um estilo sarcástico e demorei muito para entender que isto, quando dito pelos outros, nem sempre é um elogio.
    Sempre me entendi bem com as ideias e discordâncias delas. Talvez por isto seja tão difícil empatizar com as dificuldades que alguns tem com ideias e discordâncias.
    Resumindo: não é raro eu chocar as pessoas. Algumas já se apresentam pré-dispostas à isto, outras até que não... Mas a lista das que se sentem incomodadas não para de crescer.

    Uma brincadeira que faço desde a gestação da Sofia é sobre seu irresistível interesse pela vida monástica. Comento sobre sua vocação para ser freira. :-)
    Sempre afirmei que esta vocação era indisfarçável...desde os movimentos intra-uterinos.
    Sejamos razoáveis:
    Se alguém leva isto a sério temos uma pessoa com problema, e não sou eu. :-)

    A Sofia já questiona as ideias. Já expressa claramente seus desejos e lança mão de seus recursos, não tão limitados assim, para obter oque quer. A Sofia já não é mais um bebê. Apesar de apresentar em alguns momentos que poderiam ser interpretados como uma regressão. Identifico estes momentos como hábeis artifícios que ela lança mão, na maior parte do tempo.
    Recentemente tenho visto algumas manifestações de comportamentos mais maduros.
    Contextualizando:
    Íamos para uma festa infantil. Como sempre, os meninos ficam prontos primeiro, nada demais. Aguardávamos, eu e o Enzo, na sala.
    Surge a Sofia, descendo a escada.
    Roupa lilás, combinando com a bolsa e o calçado.
    Mão abertas, palmas para baixo e com os dedos afastados. Unha pintada.
    Maquiagem clarinha no rosto. Uma princesa. Linda a cena.
    A Carla chega e vamos para o carro. Lá sentados estamos e a Sofia pergunta:
    - Tia Carla, você botou o batom na minha bolsa?
    - Ih, Sofia, esqueci.
    - Tudo bem. Não vou poder beber nada então.
    :-)

    Reprisando: Sofia tem 4 anos. 4 anos feitos em janeiro.

    A mãe da Sofia não é uma referência de vaidade pessoal, pelo menos não era. A Carla sim, ela é. Entretanto este nível é incompatível com a rotina que assisto. O susto passou, mas a origem deste comportamento continua uma incógnita.
    A Sofia é uma criança. Grita, brinca, se emociona como uma criança.
    Assistir a Cinderela com ela é uma experiência incrível.

    Mas quando ela ativa o "Modo Mocinha"...
    O "Modo Mocinha" parece que faz dela uma "Estagiária de Mulher".
    Muda a voz, muda o olhar, mudam as maneiras.
    Escolhe a cor, pinta a unha, pede batom, pede maquiagem, olha no espelho...

    Talvez a madre superiora tenha mais trabalho do que, a princípio, eu imaginei. :-)

    segunda-feira, 9 de maio de 2011

    A Palmada, Gandhi e o Cristão-Novo

    O termo Cristão-Novo refere-se aqui à minha recente conversão.
    Aderi ao grupo que quer acreditar ser possível a educação de uma criança com "Palmada Zero".

    Por onde circulei, o evangelho da "Palmada Zero" se fazia unânime.
    Achei até os extremistas que igualam palmada, alteração de voz e até, pasmem, qualquer tipo de punição.

    Pavlov virou na cova.

    Deste ponto em diante  chamarei a "Palmada Zero" de Novo, a "Punição Zero " de Extremista e as palmadas ocasionais de Tradicional. :-)

    Até quase os dezoito meses da Sofia eu nunca tinha presenciado uma palmada nela. Num rompante de fúria a mãe bateu nela uma vez. Rapidamente concordamos que não seria esta uma ação rotineira e a vida seguiu.
    Após a separação, já com 3 anos e meio, eu dei umas 4 palmadas, num momento extremo.
    Como a mãe da Sofia prima pela consistência no esforço de me manter as cegas sobre a criança, não posso afirmar nada do que acontece fora da minha presença, apesar de ter percebido uma reação dela indicando que palmada não era novidade para ela. Na situação atual onde a psique da mulher é um problema, inclusive para ela mesma, e o estado entende como prejudicial à criança que ela tenha um pai...

    Este evento levou-me à busca de outros instrumentos. Foi o estopim da conversão.


    O Novo é surpreendentemente bem embasado na ideologia dominante.
    Crianças são humanos, apenas pequenos, e devem ser tratados com a mesma dignidade.
    Isto faz sentido.

    Extrapolando este comportamento para a sociedade, também é possível imaginar uma redução progressiva da violência física em nosso meio. Entendo esta expectativa como natural reverberação no coletivo.
    O mundo pode ser melhor, e será.
    Imediatamete lembrei de um amigo, um dos grandes, que sendo ex-comunista, uma vez me disse:
    Perdemos a chance de mudar o mundo com a revolução. Nos resta mudar o mundo pelas nossas famílias.
    Espetacular esta visão, não é mesmo? Alguém por aqui tem algum informação sobre as palavras de Gandhi à educação infantil usando a não-violência?

    Ok, mas como não existe almoço grátis...

    Não é uma transformação fácil.
    O pai tem que pensar bem no assunto.
    Identificar algumas motivações da criança e avaliar como lidar com elas neste novo cenário.
    Antecipar algumas situações e planejar a abordagem é também fundamental.

    Um ponto é que é muito mais fácil educar usando os procedimentos Tradicionais. Abrir mão deles dá muito mais trabalho.
    Outro ponto continua sendo o problema da verdade verdadeira. Não é possível sabermos, seja qual for a linha:
    1. Tradicional, 
    2. Nova ou 
    3. Extremista
    Qual funciona e/ou é melhor?

    Até por que, entre outras coisas, a definição de melhor aqui não é nada fácil.

    Ganhei outro ponto para a reflexões rotineiras sobre a vida.
    Já a Sofia ganhou um pequeno incremento na energia das neuroses do Pai. :-)

    Enquanto isto:
    Não gosto de bater na Sofia. "Doeu mais em mim que nela". Sei que parece egoísta, mas estou certo que não farei mais isto.
    Comecei a me expor ao discurso Extremista. Confesso que é muito para mim, mas recuso-me a recusar informações, até por que a "Verdade Verdadeira"...

    Enquanto isto...

    Nossa, que saudade da minha Linguicinha. :-(

    quinta-feira, 5 de maio de 2011

    A Tragédia, a Comédia, a Mentira e o Judiciário

    Existe uma diferença sutil entre tragédia e comédia.
    Imagine uma pessoa escorregando na rua. O que faz mudar a avaliação?
    Pense bem...
    Lá vai:
    A distância.
    Longe é comédia, próximo é tragédia.
    De longe se ri, de perto vemos a dor, o risco, a idade, os ferimentos.

    Na síntese popular:
    Seria cômico, se não fosse trágico.

    Sofia ontem apareceu com um dedo estourado.
    Esmagou o polegar numa porta da creche, deve perder a unha.
    Aparentemente sangrando espontaneamente, ou com pouco movimento.

    A pequena mostrou uma mudança no padrão de seu comportamento.
    Estava muito sensível. Chorou por coisas mínimas.
    Eu fui prontamente avisado...
    Por e-mail...
    24 horas depois...
    Por que eu ficaria sabendo inevitavelmente.
    Pela creche, nenhuma palavra...

    Não tenho autorização para passar na creche hoje para vê-la. Só em sete dias.
    A mãe já me ameaçou sobre os horários da decisão judicial.
    A mãe, por motivos dela, não pretende levá-la para uma avaliação médica.
    A creche, onde aconteceu o acidente, entende que é superficial. Compreensível, não é mesmo?

    O judiciário, nega à sofia o meu papel de pai recusando a Guarda Compartilhada à Sofia, mas sustenta com orgulho que a "Autoridade Parental" persiste sendo minha.
    Obviamente isto é feito "Pelo melhor para o menor".

    No mês passado, o judiciário de múltiplas personalidades produziu mais uma ponto alto:

    O Monstro de Duas Cabeças.
    Enquanto em SP um pai foi condenado por omissão na educação de um filho, cuja guarda era da mãe e esta a exercia "em pleno direito", ou seja, quem não tem a guarda não é nada. Em petrópolis, um juiz passava um sabão num pai que, também sem a guarda, insistia pelo único caminho possível para participar da escolha da escola do filho, o judicial. O pobre segundo pai realmente acreditou no canto da "Autoridade Parental sem a Guarda". Deviam ter avisado o juiz este mito, ele deveria sustentar o fingimento. Neste mito e talvez no das sereias também. O pobre juiz está sobre-carregado de trabalho, por isto não consegue trabalhar de forma digna. É um bom homem, estou certo disto.
    Já o judiciário não segue a lei, não segue a técnica, não segue a constituição, não segue o bom senso...
    Não segue nem mesmo ele próprio.
    Ninguém se sensibiliza pelo ridículo.

    Segue apenas a motivação de adotar respostas padronizadas para atingir "o menor trabalho possível". Mas não se iluda. Nas sentenças, implícita ou explicitamente, é tudo "Pelo melhor para o menor". Sob este lema, que dispensa sustentação, filhos ficam sem pais e mães insanas fazem terapia para se justificarem em suas Síndromes de Medéias.

    Os números do Preconceito
    100% das disputas de guarda em que os genitores se encontram em posição de equivalência são dadas às mulheres.
    Para que tem pouca intimidade com interpretação de números eu ajudarei aqui:
    100% não tem como explicar. Não tem base jurídica, psicológica, social, teórica, de "vergonha na cara"...
     Nada é capaz de sustentar isto. Mas se "O Monstro de Duas cabeças" acima não é capaz de destacar o erro, imagina este exemplo aqui?

    Costumo receber mais e-mails que comentários neste blog, é uma pena.
    Não receberei nada contestando isto acima. Desejo receber da citação abaixo, por favor.
    É a maior violação brasileira dos direitos fundamentais dos indivíduos, pais e filhos, executado pelo aparato do estado, o judiciário, em larga escala e com o maior nº. de pessoas empenhadas na tarefa, os funcionários públicos, em toda a história deste país.
    Enquanto escrevo isto, no Forum aqui ao lado, um pai está sendo informado, que só por verificação, sua criança não poderá ter contato com frequência menor que quinze dias com ele, apenas por que a mãe assim deseja e isto é "Pelo melhor para o menor". E talvez, após uma avaliação feita pelo estado, isto possa mudar no futuro. A final, o desejo da mãe tem que ser apurado.

    É,
    Seria cômico, se não fosse trágico
    Eu também seria capaz de rir, não fosse a proximidade da minha filha chorando espontaneamente no carro, hoje cedo, antes de chegar à creche.

    quinta-feira, 28 de abril de 2011

    Carl Rogers, Eu e a Sofia

    Já faz um tempo que tenho uma relação com o CVV.
    Diversos são os frutos disto, mas impossível mesmo é deixar de citar o Carl Rogers.
    Ele entrou na minha vida derrubando várias crenças. Diversas formas de pensar e agir  foram afetadas,
    Obviamente a entrada de novas formas de agir acontece deslocando os comportamentos anteriores e esta mudança produz um certo desconforto.
    Surpreendentemente não foi diferente comigo.
    Aquele troço de "não diretivo" é para os fracos. Se você sabe o que deve ser feito, fale logo. :-)
    Neste processo as concessões são inevitáveis e eu marquei uma posição.
    Isto é muito legal, mas tem suas limitações. Vejamos...Jamais servirá para educar uma criança.
    Pois bem, acabei e perder mais esta.

    Como Falar Para Seu Filho Ouvir E Como Ouvir Para Seu Filho Falar

    É impressionante como as autoras evoluem graciosamente na comunicação com as crianças.
    A cada página a alegria das descobertas supera os incômodo dos erros cometidos no passado.
    Descobri que não é a Sofia que tem dificuldades em me entender, eu que é falo da forma errada.
    Estou no meio do livro. Quando terminar farei uma resenha.

    quarta-feira, 20 de abril de 2011

    A Inveja, o Egoísmo, a Inteligência e outras Qualidades

    O Egoísmo
    Não é de hoje que tenho bons olhos para o egoísmo. Lentamente esta visão foi se construindo. Marca a minha memória um texto em "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, onde ele explora que a motivação do padeiro não é reduzir a fome, mas seu próprio sustento. Agindo em resposta à sua necessidade ele resolve a questão para inúmeras pessoas. Não a bondade verdadeira, mas a legítima necessidade é que faz o mundo girar. E todos saem ganhando.
    Identifico os defeitos do Egoísmo, não "in natura", mas quando é servido sem a dose obrigatória, e mínima, de inteligência. Este sim é problemático.
    O egoísmo com inteligência é a verdadeira mola do mundo.

    A Inveja
    Meu contato positivo com a inveja é que motivou este post.
    Estava eu, num fim de noite de meio de semana.
    Cedo para dormir, mas tarde para quem acordará cedo pela manhã.
    A Carla, minha mulher, saca o telefone e começa uma conversa com o Mário, seu ex-marido:
    -O Enzo assim, o Enzo assado, na escola dele isto, lá aquilo, a alimentação assim, a socialização assado...
    Rodam fáceis 30 minutos dos mais diferentes pontos da educação e cotidiano do meu enteado. Trocas de opiniões, de informações, acordos como agir de forma unificada. Trocas de sensações e preocupações.
    Reli o paragrafo acima e notei o quanto eles concordam...
    Não exatamente. Ambos possuem visões bem diferentes sobre vários aspectos da rotina e educação do Enzo, mas sempre se respeitaram. Sempre entenderam o diálogo como forma de melhoria. Talvez ... nem sempre, mas é a abordagem majoritária. Com larga vantagem.
    Inveja foi o que surgiu quando a inevitável comparação brotou.
    Qualquer comparação neste ponto é dolorosa.
    ...
    Depois de escrito aqui resolvi apagar o texto.
    A lista foi, por demais, desagradável.

    A inveja entra como motivador para a melhoria.
    O desconforto da inveja indica a direção para o aprimoramento. Este é o objetivo da inveja, que junto com a inteligência, leva e ao progresso.

    Ao contrário da visão otimista, resta a certeza de estarmos reféns, nós três, do humor de um indivíduo que ... e a vida segue.

    terça-feira, 5 de abril de 2011

    Sofia e a Mãe Judia, Métodos e Resultados na Educação

    Apesar de crer que a maioria é capaz de desconfiar da diferença entre Neurose e Psicose, colocarei aqui a minha versão delas:
    Psicose é doença, neurose é estilo, questão de individualidade. :-)
    Sou neurótico e sou feliz, ponto.
    Não pretendo mudar, faz parte do meu show, faz parte do meu ser.
    Dito isto...
    Questões como alimentar, transmitir afeto, motivar, limitar e educar a Sofia surgem durante toda a rotina diária.
    Agora cedo me peguei considerando a bordagem de higiene pessoal da Sofia, enquanto eu escovava os meus dentes. Sem stress, ou crise, mas sempre reavalio um ou outro comportamento. Questionando o que funciona, o que não funciona e o que poderia funcionar melhor.
    A alimentação volta, provavelmente no próximo post. Nos últimos dias tenho sido bombardeado sobre este assunto.

    Agora, passeando pela Veja, esbarro numa preciosidade.
    Tanto a educação chinesa, quanto a judia proporcionam bons resultados.
    A chinesa é fortemente baseada na autoridade, a judia na chantagem emocional. Ambas tem algo em comum. Obtêm a dedicação das crianças ao estudo.

    Bingo. Ninguém sabia, mas crianças que estudam dão melhores resultados no colégio. Melhores resultados no colégio parecem estar relacionados com conquistas pessoais, profissionais e, agora do grupo, sociais.

    Impressionante, não?
    Como alguns dados, cujo método de organização pode ser questionado, conseguem sustentar o óbvio bom senso.

    Voltamos a pergunta de ouro:
    Como trazer isto para a Sofia?

    Temos que o ponto em comum é estudar. Participativo ou autoritário, tomando o comprimido a febre cede.

    Ok, Ponto fechado: Tem que estudar.
    Tem que fazer a Sofia estudar.

    Em outro momento concluí que o mais importante não é que ela, a criança, faça algo, mas que queira fazer.

    Temos aqui uma reformulação então:
    Como fazer a Sofia gostar de estudar. Com estruturar a realidade de forma que a obtenção de conhecimento seja recebida pela Sofia como uma atividade associada ao prazer e que o estudo seja visto como algo natural da rotina e não como o ato de abdicar do tempo que poderia ser dedicado à outras diversões?
    Avaliando a contribuição judaica notamos também a questão do debate.
    Adorei achar o debate aqui vinculado ao crescimento da criatividade.

    Esta questão da Obediência Versus Iniciativa  já foi levanta aqui como um ponto fundamental e agora uma resposta objetiva de apresenta.
    Se o debate for estimulado e incorporado ao processo de comunicação cotidiano poderemos ter um campo de exercício para a criatividade, a iniciativa e a retórica.
    É isto mesmo?
    Lendo assim faz sentido, mas no mundo real isto funciona?
    A que custo?

    domingo, 3 de abril de 2011

    Homens e Mulheres, o Comportamento Inerente e o Adquirido

    Minha Mulher, Carla, tem um forte impulso feminista.
    Brincando eu digo que ela tem um encosto da "Rosemarie Muraro".
    Tento uma manobra de coerção dizendo que se ela obtiver a razão com este modelo de realidade terá que abrir mão da felicidade. Exagerado sim, sem sentido não.

    Vale destacar aqui que eu sigo o evangelho do "Construcionismo Social".
    Isto significa que até posso fazer afirmações fortes com as do 1º parágrafo, mas recuo na solidez assim que a discussão se aprofunda na argumentação organizada, mas não necessariamente quando a substância preponderante é o sectarismo de ideias. :-)

    Nasceu como uma piada, mas foi se alimentado cada vez que o assunto veio para a arena de debates. Homens são diferentes das mulheres e, desta forma, o tratamento igual é apenas uma forma mais sutil de injustiça.
    Obviamente esta afirmação, apesar de uma razoável base de sustentação, abre possibilidades enormes de "conflito divertido¨, ou seja, muitas piadas.
    Sempre ataquei com as "diferenças orgânicas" e sempre ouvi sobre a "modelagem social", ou seja, as maiores diferenças são produtos da sociedade.
    Realmente acho que são as duas explicações, mas se ceder perco longas horas de agradável confronto de ideias. Isto sim, é fora de questão.
    Entre o ouvido feminino melhor direcionado para os sons agudos, do choro infantil e a modelagem social que não explica por que sempre os pombos perseguem as pombas, o embate de ideias prossegue.

    Um programa no Discovery Channel abordou as diferenças de gênero e mostrou que, pelos padrões atuais de macho e fêmea 100%, a maioria fica entre as faixas de 80%. Mostrou inclusive "uma mulher se tornando um homem" por injeções de hormônio. Até o cérebro mudou a forma de funcionar. Tornou-se um "cérebro de homem".

    Em "Vamos as Compras", Paco Underhill leva a sério as diferenças entre homens e mulheres. Sério significa o valor financeiro desta compreensão.

    Algo relacionado ao que vi no Jornal O Globo de hoje, pesquisa do funcionamento cerebral na busca de melhores métodos de abordagem comercial. O inferno de Lenin.

    Retomando. Já definimos que homens são, pelo menos por tendência natural, diferentes no comportamento das mulheres.
    Concordamos também que a sociedade, especificamente, as expectativas sociais, induzem alguns comportamentos nas pessoas e um viés da seleção destes comportamentos é orientado pelo gênero do indivíduo.

    Sabendo disto podemos influenciar, criar oportunidades específicas para desenvolver alguns comportamentos, assim como mitigar algumas tendências.

    O fundamental aqui é entender que a influência é estatística, não individual. Numa população de x pessoas, sobre determinada pressão, temos que y% seguem tal comportamento e z% o outro comportamento.
    Até poderíamos, por inferência, dizer que:
    "Sob tais circunstâncias esperamos y% de chance em tal comportamento." Se consideramos que tal indivíduo seria um representante fiel à população estudada. Entretanto, por questão de ser conservador, evito este tipo de afirmação. Sólido para a estatística e uma heresia para a psicologia.

    Agora vem a pergunta que vale ouro:
    Devemos investir na melhoria dos pontos fracos do gênero na educação de uma criança, ou devemos aprofundar as qualidades que já seriam naturalmente fortes?

    Devemos buscar um maior desenvolvimento da empatia nos meninos? Por exemplo.

    Que características deveria eu investir na formação da Sofia?
    Deveria? Existe alguma implicação ética que tenha me escapado?
    Mesmo considerando as limitações dos resultados dos possíveis esforços, não fazer nada seria uma omissão minha quanto ao papel de educador?
    "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho morde"?
    Tudo isto é bobagem e eu deveria caminhar mais na praia com ela? :-)

    domingo, 27 de março de 2011

    A Dor, a Empatia e a Nossa Dor

    Na fila de espera para fazer uma coleta de sangue ouvi um voz de criança protestando contra a ameça de uma agulha.

    Vale iniciar dizendo que tenho horror de agulhas. Desta forma deixo claro que não foi difícil surgir a empatia pela luta da criança.

    Olhando a minha volta notei que diversos adultos riam. Achavam graça dos protestos sonoros da pequena vítima.
    Em determinado momento imaginei que aquele serzinho, visivelmente sofrendo, poderia ser a Sofia.
    Foi impressionante como bateu um forte mal estar.

    Não que eu tivesse acompanhando os adultos que achavam graça do evento, mas a distancia entre o que eu sentia e eles tornou-se abissal.

    Nunca fui tolerante com as violências contra as crianças, mas a gestação da Sofia conseguiu lançar-me num patamar desconhecido até então. A primeira vez que verbalizei isto saiu a seguinte frase:
    Com a Sofia é que descobri o quanto eu poderia ser intransigente.
    Algumas notícias, apesar de não me mudarem externamente, mexiam muito com o meu senso de necessidade de justiça.
    É intolerável para mim o limite para a punição de um adulto que maltrata uma criança.
    Obviamente isto não se aplicava à uma coleta de sangue, mas um pensamento puxou o outro.

    Logo em seguida saiu um menina de 5 anos com uma carinha bem triste e depois eu fiquei sabendo que não tinham conseguido fazer a coleta.
    Sara, a pequena, teve que voltar depois.

    Saí de lá pensando o quanto estava com saudade da minha linguicinha.
    Ser pai de segunda divisão e conseguir conviver com a filha apenas 30% do tempo não é mole. A rotina é passar 2 dias sem ouvir sua voz, mesmo com as ligações diárias, sempre no mesmo horário.

    Quando o Enzo pergunta por que vê a Sofia tão pouco eu faço a mesma coisa que fiz quando a Sofia me perguntou isto:
    Disfarço e mudo de assunto.

    terça-feira, 22 de março de 2011

    Guarda Compartilhada ao Alcance de Todos

    Todos somos diferentes, somos únicos. Esta unicidade permite uma multiplicidade de formas de agir, de pensar e de ser.
    Seguindo na direção oposta à Eugenia, hoje entendemos isto como ganho. Como "vantagem estratégica".

    Na visão da pequena, que supostamente é quem deve ser atendida, permitiria o melhor dos mundos possíveis.

    Como a Guarda Compartilhada funciona em minha vida?
    Eu fico um tempo com a pequena, a outra parte fica um tempo também.
    Ambos dedicamos carinho e proteção.
    Periodicamente conversamos. Ótima conversas pois os nossos objetivos nem são mais discutidos. O melhor para a pequena.
    Recentemente eu a levei a uma doutora e fui com algumas recomendações passadas pela outra parte.
    Já discutimos algumas vezes sobre alimentação, ponto em que eu sou o provedor. Compro e entrego à outra parte. Afinal ela já faz tanto por nós todos.
    A educação é algo que ouço atento, pois a minha experiência é indiscutivelmente menor. A outra parte é muito melhor nisto. Por causa disto tenho dedicado parte dos meus pensamentos e leituras no aprimoramento dos meus instrumentos nesta área.
    Estabelece-se uma relação de respeito e admiração que se faz desnecessário descrever o impacto positivo disto no imaginário do Enzo, meu enteado de 8 anos.

    A lista de vantagens não para:
    • Permite que um maior tempo seja dedicado à pequena.
    • Garante um crescimento da qualidade do tempo. Por não ter tanto tempo assim você sempre se programa para o usar de uma forma melhor.
    • Além, é óbvio, de desafogar ambas as partes, que ganham as oportunidades de manterem outros aspectos de suas vidas com um dinamismo que a guarda única não permitiria.
    • Quando a pequena chega na minha casa ela pula de alegria, se joga sobre mim. É um ótima sensação ser recebido desta maneira.
    Problemas?
    Claro. Eu mesmo me sinto diminuído de tempos em tempos, mas é óbvio que as intenções são boas e é o cenário ótimo para a pequena.
    Sempre defendi que o egoísmo é a melhor qualidade do ser humano, mas privar a todos, em especial a pequena disto, não é egoismo, é burrice.

    Assim eu ando aprendendo a gerenciar o meu ego com vista no que é melhor para todos e a vida segue.

    Não tenho palavras para expressar a minha gratidão pela outra parte ter proporcionado isto a nós todos e à..........Afrodite.

    A Afrodite, uma vira-lata meio Bacê, meio alguma outra coisa, segue crescendo e feliz.

    Obrigado Tuninho, você é um vizinho espetacular.
    Sempre rindo dizemos que temos a Afrodite em regime de Guarda Compartilhada.

    Ao perceber as nossas dificuldades com a Afrodite, meu vizinho, tomou a iniciativa e passou a nos apoiar.
    Quando saímos cedo ele pega a Afrodite e nos devolve sempre que voltamos com pelo menos uma das crianças.
    Isto garante que a Afrodite tenha companhia o tempo todo e que as crianças também desfrutem da companhia dela, quando possível.

    Nossa família, Eu, Carla, Enzo e Sofia vivenciamos uma relação de confiança e boa comunicação com o Tuninho em prol da Afrodite.
    Ela, por ser um filhote que dá pequenas mordidas, já até ganhou um apelido:
    "Monstro Assassino" :-)
    Sobre a Sofia
    Este é um assunto que me dói, mas tenho me cobrado muito.
    Este post é como se fosse uma farsa, mas servirá para eu me sentir melhor pagando parte da dívida. Farsa por conduzir quem lê as mensagens a crer que falava da Sofia. Todo o resto é verdade. O Tuninho é 10 e a Afrodite é sapeca.

    A mãe da Sofia segue dificultando nossas vidas.
    Efetuou todos os esforços para limitar minha convivência com a Sofia e impedir a Guarda Compartilhada e, apesar do estudo da equipe técnica do forum obter a concordância da promotoria com a Guarda Compartilhada, a juíza negou. Quem acompanha as varas de família já sabe a desculpa: "É o melhor para a criança".
    A sentença já produziu seus efeitos:
    "Eu sou a mãe e você é o visitante"

    sexta-feira, 18 de março de 2011

    A Origem do Carinho

    Os modelos servem para pensarmos as questões. Apesar de serem sedutores como representação da realidade, são apenas modelos. O mapa é um mapa, nunca o terreno. Lamentavelmente nos pegamos confundindo isto.

    Fechando este ponto:
    Modelo é útil para entender a realidade, mas não se mate por um modelo, trata-se de uma limitada representação, não do objeto em questão.

    Dito isto, vamos ao ponto: O Carinho.

    Sofia é MUITO carinhosa.
    Pede beijinho, pede abracinho, pede presença, pega na mão, explica as coisas com muita dedicação. Revira os olhos enquanto explica parecendo que ela faz parte da audiência de sua própria explicação.

    Existiu no passado um momento muito ruim. Sua mãe, num comportamento que é difícil classificar, rompeu o nosso padrão de convivência. Eu com a Sofia. Na época diária. Quando, após quase duas semanas ela voltou a dormir na minha casa, não adormecia de jeito nenhum. Ela chorava muito e me levava, internamente, ao desespero. Apesar de manter um aspecto sereno, sofri muito quando, em lágrimas e com o pequeno vocabulário de uma criança de pouco mais de 2 anos me explicou que não dormia porque queria "carinho".
    ...
    Isto se manteve por semanas.
    ...
    Modelos, modelos...
    Gosto de Maslow. É o da figura acima.
    Como entender, olhando de baixo para cima na pirâmide, a necessidade de carinho da Sofia?
    1. O toque físico. As mãos, os abraços podem ser estímulos físicos.
    2. A busca por segurança. Sentir-se abraçada e protegida parecer ser um item válido.
    3. Como representação de amor, de ser querida.
    Por que a necessidade de entender?
    Para melhor satisfazer. Para reduzir o risco de "pisar no pé".
    "Qualquer coisa que você faz, fará melhor se pensar sobre isto."
    Se a frase acima não parece verdadeira, é por que você não pensou o suficiente ainda. :-)

    Seguindo esta linha, três decisões:
    1. Beijarei mais, pegarei mais no colo, sem carregá-la. Pegarei mais nas mãozinha dela. Olhe novamente. Mão de criança é uma coisa muito linda.
    2. A abraçarei mais. Ela adora que eu fique junto na piscina. Deixarei claro que não tem lobo, mas se ele aparecer, papai dará conta. Bem, ainda tenho que elaborar isto para reduzir o aspecto de violência.
    3. Continuarei a dizer: Papai te ama.
    Hoje é dia de Sofia, mas só no fim da tarde. Este fim de semana é de Sofia.
    Cazuza errou:
    "O tempo não passa"
    Se alguém puder contribuir com um outro modelo...
    Por favor.

    sábado, 12 de março de 2011

    Limites Sem Trauma - Resenha

    Ganhei de uma amiga um livro:
    "Limites Sem Trauma - Construindo Cidadãos"
    Tania Zaguri

    Tenho ocilado entre ler compulsivamente e entre fazer uma dieta dos capítulos. Tento não ler mais que um de cada vez.
    Pouca coisa é realmente novidade, se é que eu conseguiria citar alguma, mas o óbvio deve ser repetido de tempos em tempos. Cria oportunidades de novos olhares sobre temas que julgamos envelhecidos.

    Por pontos:
    Pavlov deita e rola.
    Premiar o acerto antes, punir o erro no ato.
    Para obter resultados muito bons antes é necessária a criação de um ambiente de estímulos aos comportamentos desejados. Demonstrações de afeto e apreço devem ser equilibradas, porém frequentes. No erro as consequências devem ser expostas e as posições não deve ser flexibilizadas como regra. Agiu certo? Certeza de reconhecimento. Errado? Convicção das consequencias.
    Repetir, repetir, repetir... A curva de aprendizado mais parecer uma reta. :-)
    Não existe limite para a sustentação do processo de educar a criança. Paciência é o mantra.
    Esboça técnicas distintas para se lidar com as crianças em diferentes faixa etárias.
    Esta parte vale ouro. Qualquer um pode começar a ler por aqui mesmo.
    Apresenta Maslow
    Ajuda na diferenciação entre necessidades e desejos, longe da "fórmula normal":  "Necessidade é o que o meu filho pede, desejo é o capricho exigido pelo filho mimado do vizinho". :-)
    Muito elucidativo também na responsabilidade dos pais por dentro
    Não dá para se educar bem uma criança sendo um adulto ruim.  Eu realmente não estava preparado para esta exigência de aprimoramento como ser humano, sendo imposta desta forma e com esta urgência.
    Punição é punição
    Mas não é necessária a violência. Para a punição ter um efeito forte o importante é criar uma grande distância da normalidade. Se sua normalidade é ruim, ou seja, a criança nunca é premiada, a única forma de criar esta distancia é carregar na punição. Se existe um ambiente de estímulo, valorização e motivação, uma cara triste já é capaz de surtir um efeito que nem um espancamento traria.Conversando com outras pessoas notei que certos filhos são gerenciados apenas pelo "olhar dos pais". Descobri que é isto que eu procuro.

    E finalmente, o mais importante:

    O livro flui de forma agradável. Agradavelmente ele te educa.

    Minha mulher notou que, na verdade, a autora conduz os pais no processo de aprendizagem. O livro foi feito não para dar dicas sobre a educação dos filhos, mas para educar os pais.
    Reli algumas passagens usando esta ótica e.... adorei.
    Em especial onde está o ataque à tradicional punição física.

    Em linhas gerais, leia mesmo que você não tenha filhos. Servirá de guia para lidar com seu chefe, subordinados, familiares e amigos. :-)

    Realmente, eu precisava mesmo ser educado. Ops, ainda preciso.
    E tudo indica que por apenas algumas décadas...

    Consideração final:
    Recomendo com empenho.

    segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

    O Imaginário da Sofia e a Verdade Verdadeira (Baixo Clero)

    Sofia preocupa-se com o lobo.
    O Lobo seria o arquétipo do mau.
    Ela cita o lobo desde os 2 anos.
    Temos também uma lista:
    • Papai Noel
    • Coelho da Páscoa
    • Fada dos Dentes
    • Fantasma
    • Bicho Papão
    • outros
    Não é difícil imaginar a facilidade que os adultos incluem personagens mágicos no imaginário de um criança.
    A Sofia foi a um show de mágica. Lá, entre os truques, teve uma brincadeira onde uma criança foi fantasiada de coelhinho.
    Na memória da Sofia ficou a convicção que a criança foi transformada num coelho. :-)

    Ficamos com a questão:
    • até onde conduzimos estas "pequenas mentirinhas"?
    • seriam elas realmente úteis para as crianças, ou são para os adultos?
    Como aqui temos o Enzo, de 8 anos, e a Carla ainda faz as dinâmicas do Natal e da Páscoa, não vejo muito espaço para tocar nisto.
    Desta forma este assunto não foi colocado em evidência. Preocupa-me romper com o imaginário do Enzo.
    Entretanto a sustentação disto paralisa qualquer ação minha junto à Sofia. O que não é realmente ruim.

    Por outro lado:
    A Sofia está inserida num meio social. O dela.
    Neste espaço temos um conjunto específico de regras, crenças e comportamentos.

    O quanto seria benéfico eu catalizar estas discussões com a Sofia?
    Isto a tornaria mais esperta no grupo? Ou mais deslocada?
    Ajudaria nossos vínculos, ou o contrário?
    São estas questões importantes para a Sofia, ou eu estou projetado as minhas nela?

    Até onde podem chegar as mentirinhas boas?
    Elas são boas para quem mesmo?

    Existe uma ONG, em Botafogo, que tenho me aproximado.
    Eles tem um serviço de apoio às famílias em litígio.
    Não nutro expectativas neste esforço, mas não seria a 1ª vez em que ganharia por estar errado.
    Comecei a ser exposto formalmente ao "Construcionismo Social" e me surpreendi com um discurso muito bem montado sobre o meu Pântano. Outro post.

    Para fechar este:
    Não é fácil responder definitivamente a muitas questões.

    Devo permitir vida longa ao "Coelho da Páscoa" no imaginário da Sofia?
    Não existe a resposta.
    Apesar disto, o roedor onírico continua perseguindo meus pensamentos.

    PS: O Alto Clero é a mesma questão, mas com pontos mais difíceis; para mim, é claro. :-) Outro post, veja aqui.

    sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

    O WII

    O WII, o video-game da Nintendo, posiciona-se como um produto mais voltado ao público familiar. Então somos nós mesmos. :-)

    O desafio foi buscar uma atividade que conseguisse atender à turma toda e os amigos satélites.
    Em linhas gerais: Algo impossível.

    Várias faixas etárias, diferentes desejos e disposições.
    Não é possível conciliar tudo isto. Sem pensar muito numa questão já dada como perdida "seguia naquele esquema: escola, cinema, clube e televisão".
    Um dia, um amigo meu, o Tuninho, insistiu mais que o normal e eu cedi. Ele trouxe um WII para mim.
    No primeiro momento eu tive uma certeza: Fiz bobagem.
    O tempo foi passando e aí...
    Eu jogo, Enzo joga, eu jogo com o Enzo, Carla joga com o Enzo, Sofia joga e joga com qualquer um.
    Passar tempo junto é importante para estabelecer relações. Diversão em grupo é melhor ainda.
    Esta maquininha ajuda. Desde tiro até universos coloridos de fantasia.
    Existe uma tal de Dora Aventureira. Faz um sucesso com a Sofia. É uma série de jogos para crianças. O jogo que "quase se joga sozinho" e a Sofia delira. Esboça uma satisfação de conquista, enquanto avança no jogo.
    Tem um jogo do Mickey que, este sim, se joga sozinho.
    Sofia normalmente acorda cedo, antes de todos. Normalmente jogamos boliche nas manhãs de domingo.

    O Enzo descobriu a dança. Just Dance I, II e for Kids; Dance Dance Revolution, a série. Temos em casa 2 tapetes de dança e outras opções voltadas à malhação. Quase uma academia. Para ele um outro Mickey fez mais sucesso. Diversão 100, violência 0.

    Impossível não citar Michael Jackson Experience. É capaz de transformar você no falecido. Com ou sem Thriller. Tem curso de dança e tudo. Enzo fazia o estilo que tinha uma opinião muito forte. Não gosto de música e nem de dançar. :-)

    Para terminar temos a Sofia voando. Sim, você também poderá voar, após alguma prática. É o pesadelo de qualquer pai. Ver sua filha transformada numa galinha. É galinha, mas voa.

    Repito aqui o link colocado em:  Brincar com a criança é a forma de dizer que a ama.
    Se você tem filhos é hora de pensar num WII ou, se estão entrando na adolescência, talvez o PS3 ou o XBOX360 sejam outras opções.
    Lembre-se: "Não basta ser pai, tem que participar do jogo" :-)

    terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

    Sofia e Afrodite

    Por muito tempo eu imaginei que a função de um educador devesse ser fazer a criança fazer o que deve ser feito.
    Observe que não existe uma definição objetiva disto. Está subordinada à percepção e aos valores do educador.

    Mesmo quando a realidade nos desafia e mostra crianças sendo orientadas de formas criticáveis, o estado apenas deve intervir em situações limítrofes.
    Abundam na nossa história excessos do passado. Vale salientar que o patamar de erros aceitáveis dos indivíduos é muito superior ao dos erros aceitáveis do estado.
    Resumo: Mantenha o estado longe da sociedade, em especial, das nossas crianças. Estado nesta área é último recurso. Algo no mesmo patamar de "Operação Cerebral".

    Pois bem, venho ponderando sobre os objetivos finais do processo educacional. Ponderações que retornam, invariavelmente, para a questão final: Qual o sentido da vida?

    Pulando muita filosofia...

    Observei que o fundamental não é que a criança faça isto ou aquilo, mas que queira isto ou aquilo. Fazer está, na verdade, em 2º lugar. Desejar é o ponto. Quando fracassar no "Desejar,  o "Fazer" pode ser um tipo de consolo.
    Resumindo:
    1. Faça a criança Desejar
    2. Consiga que a criança Faça
    Nesta ordem.

    E eu que sempre pensei que as noitadas de Calculo eram difíceis.
    Toda a questão agora muda. Como motivar uma criança? Outro post.

    Bem, testo todo dia algumas ideias. Um Animal de estimação surgiu como uma ideia que foi amadurecendo por muitos meses.

    Aguardei alguns eventos:
    1. A Sofia manifestar, repetidamente, o interesse.
    2. O Enzo esboçar alguma iniciativa pela ideia.
    O 1º ocorreu legal, mas lembre-se, a criança não tem compromisso natural com suas ideias. Cabe a você lembrar para ela que a ideia foi dela. Na verdade isto é mais importante do que ela realmente tomar a iniciativa. Manobra Goebbels. Não é necessário tanto. Apenas aguarde sua manifestação e relembre de forma alegre que ela existiu.
    O 2º começou bem, mas ele recuou dizendo que não queria tratar do bichinho. Vale a mesma regra: Fazer com que ele se sinta responsável pela decisão. Na verdade está tudo muito mais próximo da Manobra Dale Carnegie:
    "Atribua à outra pessoa uma boa reputação para que ela se interesse em mantê-la"
    Atribua à criança a fama de ser um bom e carinhoso cuidador do cão e ela se esforçará em não perder esta autoridade recebida. Bom para todos os envolvidos: as crianças, os adultos e o filhote.

    Assim chegou a Afrodite, ou Frô.
    Uma linda vira-lata, que cabe no meu chinelo.
    Esboçando todas as vantagens e desvantagens de se ter um filhote numa casa onde todos ficam fora a maior parte do tempo. Nossa rotina de casa. Outro post.

    Entre os constates choros da Frô, suas mijadas e as crise da minha parceira sobre não ter tempo para nada "...e agora ainda ter isto."..

    A vida segue e é espetacular ver o Enzo perguntando 1º sobre ela quando sai do transporte escolar.

    Pulei de 4º "ser mais amado em casa para" o 5º.
    Tempos felizes.

    sábado, 19 de fevereiro de 2011

    Crianças Comem

    Todo dia.
    Impressionante como isto é certo. Trata-se de um consenso.
    Já qual é o ideal para a alimentação...
    Se os adultos não conseguem um acordo, imagine a piora no cenário infantil.
    Opções:
    • Carnívora
    • Onívora
    • Macrobiótica
    • Probiótica
    • Vegetariana
    • do Paleolítico
    • Mediterrânea
    • a tradicional da vovó, só que agora com mais amor, Glutamato Monosódico.
    • Tecnológica. Com o avanço da ciência podemos ingerir substâncias que nunca antes existiram na natureza.
    Se para um adulto já é complicado, não melhora quando pesa nos ombros a responsabilidade sobre um ser indefeso que precisa da tua decisão.

    Observando o ambiente identifiquei dois grandes grupos.
    1. Deixa vida me levar - Se o que eu como não me mata,  deve ser bom o suficiente para a criança. Apenas readapto para sua idade. Se tomo Nescau, Nesquik tá bom para ela.
    2. Tomarei controle disto - Perigosíssimo. O pai transforma a criança em vegetariana também. Gosta de florais, deve funcionar com ela. Curte a velho continente, entoque o guri com azeite de oliva...
    Lamento informar, mas só existe uma verdade verdadeira absoluta neste campo:
    Qualquer verdade será contesta, e bem contestada, no mesmo dia em que for apresentada.

    Já namorei quase todas destas dietas, para mim, não para minha prole.

    Cheguei a uma combinação ótima, chamo de:
    Paleolítico com Amor (com Amor, sem glutamato)
    É aquela ideia mesmo:

    Paleolítico
    O último momento em que a alimentação e a seleção natural atuaram sem restrição da população humana.

    Amor
    É necessário bom senso. Um chiclete não mata ninguém, mas não pode dar abertura para gostar de doces, se é que algo assim é possível.
    Pensar 5 minutos na tabela de vitaminas, mas não perder o sono por que a ingestão de vitamina K está abaixo do definido.
    Acompanhar as pesquisas sobre saúde, mas não tornar isto uma rotina de duas vezes por dia.

    Por falar em pesquisa:
    Comida Ruim Torna a Criança Burra.
    Camões.

    Resumindo:
    • Mantenha a calma, você não conseguirá controlar tudo
    • Mantenha-se informado, a combinação de informação com moderação é perfeita.
    • Evite reações bruscas. Calma.
    • Preferência por alimentos naturais não é ruim, mas lembre-se dos agrotóxicos
    • Faça da refeição um momento leve e agradável. Como tudo deve ser.
    • Evite que o doce vire uma referência de alimento/rotina.
    É impressionante como a Sofia cresce, e eu apenas dou comida. :-)

    Sobre a imagem:
    Vitamina D agora é a nova moda.
    Pesquisas indicam que cura até câncer.
    Produziu o pânico em pais americanos neuróticos, pois uma pesquisa indicou que a maioria das crianças de lá está com deficiência.
    Aqui no Brasil não temos este tipo de problema.
    Não temos as pesquisas. Nossos filhos estão seguros.

    quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

    Infantilização da Infância?

    Titulozinho ruim este, heim?

    Devemos tratar a criança como um ser descolado da realidade?
    Voz esquisita, palavras erradas, compromisso zero.

    Ou devemos falar normalmente, corrigir a fala e paulatinamente trazer obrigações para ela, torná-la importante nas suas coisas?

    Ou existiria um ponto no meio destas duas linhas de atuação?

    A questão é a seguinte:
    Existe um ponto ideal?
    Vejo a minha volta dois comportamentos antagônicos:
    • Criança deve ser criança a qualquer custo
    • Criança deve ser inserida na realidade que a rodeia
    Fico eu tentando achar um ponto ótimo entre estes dois.
    • Beijo, beijo, beijo.
    • Observo para elogiar.
    • Pego no colo, mas não carrego. Ela já anda muito bem.
    • Não faz sentido eu levar sua mochila, ela tem rodinhas.
    • Toda e qualquer atividade que identifico capacidade na Sofia, passa automaticamente para ela.
    • Não economizo manifestação de afeto, mas sou sedento para que ela assuma pequenas tarefas. Guarde suas coisas e responda por elas.
    E isto piora no plano da ideias. principalmente as menos concretas.

    Vida e Morte
    Como meus sogros morreram num intervalo de um ano, a morte já foi abordada. Eles estão no céu. Ela mesma repete com alguma frequência.

    De onde vem os bebês?
    Ainda não enfrentei a questão da origem das crianças, mas ando me preparando. Nada de cegonha, mas também sem espermatozoides.
    A linguagem pode não ser 100% precisa, mas deve ser honesta e acessível à ela.
    O fundamental é evitar os 3 segundos de silêncio que o espanto produz. Estes tem o poder de mitificar na cabeça da criança.

    Futuros pontos
    Duro mesmo serão as conversas sobre:
    • Papai Noel
    • Coelhinho da Páscoa
    • Deus. Ih esta vai ser dura mesmo...Outro post.
    • Dificuldades com o comportamento da mãe. Nossa, vou até gostar da conversa sobre Deus. Outro post.
    Brinco muito com ela, mas já rejeito o uso de trejeitos infantilizados.
    Nossas conversas são objetivas, dengosas e objetivas, e esboço claramente que desejo compromisso no que ela diz e pede.

    Quando ela age mal é uma Linguicinha e recebe beijos na face esquerda.
    Quando é proposital:
    1. fica de castigo;
    2. reflexão;
    3. correção do erro e
    4. pedido de desculpas.
    Preferencialmente nesta ordem. Não existe limites para a intransigência aqui.

    Quando age bem é Princesinha e beijos na face direita.
    Depois ela sai para recolher a própria roupa do banheiro.

    Sei que não existem respostas prontas, mas me divirto tentando o melhor que posso.
    Trocando experiências com outras pessoas, por vezes, sinto-me um Pai Tirano. Outro post.

    segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    Sofia e o Paradigma dos Dois Gatinhos

    A questão central que nos persegue como seres reflexivos continua sendo o sentido da vida.
    Se a ciência tem colocado em xeque as respostas religiosas, ela também não tem fornecido boas respostas para substituí-las.
    Uma das respostas com aspecto consistente, apesar de extremamente pobre, é a da reprodução.
    "O sentido da vida é perpetuar a espécie. Ter filhos."
    Ignorando todas as ponderações possíveis sobre o texto acima...

    Ser pai permitiu-me reavaliar a minha história pessoal e trouxe uma sensação de que o aconteceu até aquele momento poderia ser com o objetivo de me preparar para esta atividade. Como se muito do passado fosse um aquecimento para exercitar-me. Com a meta de me moldar para acompanhar o desenvolvimento da Sofia.
    Nossa, como isto pareceu dramático. Acredite, não é.
    Tente reler com mais leveza, com este espírito é que foi escrito. :-)

    Vou destacar aqui o Paradigma dos Dois Gatinhos.

    Apartamento pequeno e sem muita vida interna.
    Olhamos a volta e notamos que as plantas de plástico estavam todas felizes.
    Compramos plantas de verdade. Tamanha a ousadia de pular o cactus e ir direto para a samambaia.
    Alguns anos neste treinamento e fomos para um gato.
    O Alcebíades. Al era um gato fofo e branco.
    A combinação de puberdade e minha negativa em castrá-lo tornou a vida mais rica lá em casa.
    Quando eu chegava do trabalho o Al me atacava.
    Queria carinho e atenção.
    Dá uma sensação muito boa ser tão assediado. Você percebe que alguém gosta mesmo de você, mas satura também.

    Vida segue, Al mija nas paredes.
    Lá pelas tantas herdamos uma gata, a Lili.
    Inicialmente bastante arredia, mas adaptou-se.
    Portava o natural mau humor feminino, mas gerenciável pelo Al.
    Era castrada, ou seja, sem algumas diversões para o Al.
    Eles passaram a brincar bastante.

    Em pouco tempo o ritual de recepção noturna tinha acabado.
    Tudo ficou MUITO mais brando. Indiferença poderia ser a melhor descrição em algumas noites.

    Os gatos brincavam entre eles e se importavam pouco comigo.
    Os gatos estavam felizes deste jeito

    Pois bem, como isto afeta a Sofia?

    Crianças gostam de crianças.
    Proporcione crianças à tua.

    Teve filhos?
    Tua vida social não é mais a mesma. Esqueça daquela.
    Invista nos amigos com filhos.
    Invista nos parentes com filhos.
    Invista nos amiguinhos da escola dela.
    E participe.
    Você sabe o nome da irmã da Hello Kitty? Não? Sacrilégio!!!
    Mimi.

    sábado, 12 de fevereiro de 2011

    Genitor, Pai, Pária e Papai

    Por que contrariar a expectativa geral e ser Pai?
    O mapa do Caminho

    Por Etapas:

    Genitor
    Um casal normal, com comportamento mediano.
    Eu não queria ter filhos, minha mulher era... uma mulher.
    Nunca esboçou um interesse claro neste assunto.
    Casamento é sociedade. O fundamental é o esforço de ambos em estabelecer situações "Ganha-Ganha".
    Como as pessoas são diferentes é importante que as diferenças sejam ponderadas no equilíbrio dos acordos.
    Considerando que:
    • o homem pode muito bem mudar de ideia aos 70 anos e
    • aos 40 já é um risco considerável para a mulher e para a criança.
    Eu propus o seguinte acordo:
    Se ela quisesse eu topava, até seus 36 anos. Após isto adoção.
    Aos 35 ela decidiu.
    Não foi sem angústia para mim, mas eu cumpro os meus acordos.
    E entrei nessa. Não dá para ser Flamenguista "meia-boca".
    Ela sempre esboçou um boa instabilidade emocional e eu senti a decisão como uma fuga, um pedido de ajuda. Casamento é casamento, amava a mulher e não romperia um acordo baseado em tão pouco.
    Passamos um período do tipo:
    "Corra para casa que eu acho que estou ovulando"
    Mas curto o suficiente para não danificar a minha auto-estima.
    Sofia Nasceu. Virei o Genitor.

    Pai
    Minha sogra chegou junto no primeiro mês.
    A mãe, funcionária pública, conseguiu ficar em casa por um ano.
    Até a separação eu entendia isto como uma ótima coisa. Minha mulher explicou que, provavelmente, foi o fim do mundo.
    Falou sobre um mito da maternidade feliz e satisfatória que apenas serve para oprimir muitas mulheres. Verifiquei a informação com outras mulheres. É, eu estava errado. Tem mulher por aí que sofre horrores e parece que este grupo não é pequeno.
    Indiferente a isto, no primeiro ano a mãe da Sofia era mãe em tempo integral. Eu achava que ela estava feliz. Parece que não.
    Quando ela voltou a trabalhar as tarefas vieram migrando, suavemente, para mim:
    • O café da manhã passou para mim.
    • Leva-la para creche era atividade minha, com coberturas excepcionas por parte dela. Pegar era com ela, com coberturas excepcionas por minha parte.
    • Adotei a brincadeira antes de dormir, uma rotina que passou a me fazer chegar cedo em casa e a especializar-me em Lego.

    Pária
    Sofia com um ano e nove meses de idade e a mãe pede separação.
    No passado, por trauma meu, tinha deixado claro que não lutaria por um relacionamento emocionalmente em crise.
    Se temos um problema, devemos dialogar. Se entrar em crise, eu saio.
    Não consegui bancar esta posição.
    Fiquei em casa por mais duas noites.
    Chamei para conversar por mais dois meses.
    Ok, perdi.
    Lancei como Custo Afundado e bola para frente.
    Vale destacar que sua reconhecida instabilidade neste ponto não se manifestou.
    Apesar de uma pequena e breve vacilada, ela foi bem coerente todo o tempo. Desejava a separação. Ela sabia o que queria.

    Seis meses depois, namorada, enteado, vida seguindo, Sofia integrada. Tia Carla para um lado, irmãozinho para o outro...A mulher surta.
    Muito bem suportada por um judiciário irresponsável, que premia sua beligerância.
    Constituição, isonomia, leis, ECA, o melhor para o menor, nada vale nada.
    Uma estrutura que visivelmente não transitou do Republicano para o Democrático. É um feudo, pago com os meus impostos.

    Mulher insana, criança pequena, judiciário irresponsável...
    De convivência diária, a criança de 2 anos, passou a ver o pai a cada 15 dias.
    A menina surtou, mesmo. Com direito e ter registro no caderno da creche sobre a imprevisibilidade de seu comportamento. Registrado pela mãe e pela professora.  Quanto ao judiciário?......
    Pai Pária. Se aqui isto é assim, imagine na Jamaica.

    Papai
    Ouvir o gritinho fino:
    "Papai, acabei."
    Não faltam estudos indicando os resultados da criação de um filho sem o Pai.
    Banquei o projeto filho, então é isto.
    Sem dúvida a mãe tem o poder de dificultar muito as coisas, mas continua sendo minha a responsabilidade. E ela faz. A insanidade dela não pode se transformar na minha desculpa.
    Todo dia é um novo desafio e vários prazeres conhecidos.
    • Me abraça, papai.
    • Me beija, papai.
    • Conta estorinha para eu dormir.
    Fui filho de pais separados.
    Fui, na verdade, um filho abandonado pelo Pai.
    Está certo que minha mãe, em termos de Alienação Parental, bebia enxofre e cuspia fogo. Juntou com o meu pai, que já não era grande coisa...

    Não gostaria que a Sofia passasse por parte do que eu passei.
    Não suportei a imagem de ser o responsável por parte disto.

    Entre os pontos positivos e negativos, não deixarei a Sofia na pista.
    Sou Cosme, Pai de Sofia.

    quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

    Brincar com a criança é a forma de dizer que a ama

    Esta lição eu aprendi com a minha mulher, e faz muito sentido.

    Sofia se esbalda quando eu sento no chão.
    Ela se dedica de corpo e alma a me explicar as coisas.
    A chuva, os passarinhos, a roupa que usa.
    Ela fala bastante da mãe também.
    Usa sempre frases curtas. Ideias bem objetivas e fala bem.
    Sinto-me num curso grego de filosofia. Ela tem a disposição de me explicar tudo.

    Ela adora piscina. Também, aqui no Rio, tem dias que parece um estágio do Inferno. Sua confiança dentro d´água tem se mostrado crescente. Recentemente ela tem investido em prender a respiração e fazer bolhas sob a água. Impressionante como algo tão bobo gera um sentimento tão grande de orgulho em mim. Ela aprendeu e faz isto sozinha.

    O plano original de edução dela incluía, neste período, a formação musical.
    Ela é fundamental para a obtenção do ouvido absoluto. Outro post.

    Entretanto, as dificuldades impostas pela mãe tem se transformado num obstáculo para isto também.

    Existe um força no comportamento humano.
    Descobri esta força fazendo o trabalho final da minha pós-graduação em Ciências da Religião:
    • O Cuidar
    Trata-se de um impulso de cuidarmos dos outros. É muito mais complexo do que eu conseguiria explorar aqui e muito mais amplo do que eu conseguiria.
    Assistimos visivelmente o "Cuidar" se manifestando na Sofia.
    Ela precisou superar o medo para se aproximar da Frô, a Afrodite, nossa cadelinha bebê, recém adotada. Outro post.

    Em casa temos usado muito o WII. Puxa, é muito assunto aqui. Outro post.
    Pesquisando na internet eu achei isto aqui:
    "Jogar video-game com o Pai é bom para a filha"

    1. Texto original
    2. Texto em Camões
    O ponto aqui não é o equipamento, mas o conjunto de experiências que Pai e filha vivenciam juntos.
    Você pode até esquecer a maquininha, mas que ela ajuda ajuda.
    Quem já leu "Eu me divertindo com a Sofia" leva uma pequena vantagem aqui.

    Quem não está lendo aqui pela 1ª vez já sabe o meu lema:
    Quem define qualidade é o cliente.

    A Sofia tem definido de forma bem clara o que a agrada.
    Eu tenho atuado para ser legal para nós 2.

    terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

    Violência Doméstica, origens e motivações

    Num sábado destes, 29/02, estávamos nos preparando para viajar. Gang completa: Carla, Sofia, Enzo e eu.
    Passávamos pela rua e, pela visão lateral, suspeitei de algo estranho.
    Um cara batia numa mulher, com uma criança ao lado pendurada nele.
    Quando dei o alarme a Carla, que tem o estilo "Faça a coisa certa", parou o carro.
    Enquanto eu corria para separar as pessoas, e como o cara batia bem eu resolvi correr para valer, a Carla ligava para a polícia.

    Cheguei e fui inicialmente ignorado por todos.
    Na tentativa de afastar os três recebi:
    1. um olhar de agradecimento da criança
    2. uma encarada do homem do tipo: "o próximo soco pode ser teu"
    3. um mordida da mulher. A mordida e o pedido de desculpas duraram menos de um segundo, o dedo dói até hoje.
    Puxei a mulher, que dava 2/3 do homem, para dentro da grade do prédio, fechei-a e me afastei em direção ao carro.
    Lá a Carla já falava com a atendente.
    De ponta a ponta não deve der durado 1 minuto.
    Desta forma não sou capaz de análise completa, mas como sempre sou abusado, seguem algumas impressões:
    • o homem não parecia fazer o estilo acéfalo. Desta forma bater na ex-mulher em público deve ter sido uma situação limite.
    • A mulher apanhava com uma considerável coragem. Ambos poderiam estar jogando o mesmo jogo
    • Já estavam separados a 3 anos.
    • Existiu uma outra mulher no meio.
    • O homem acusava a mulher a respeito de algo sobre o filho. Alienação Parental pareceu-me.
    Minha organização neurótica da realidade tem imposto pequenas reflexões quase diárias sobre este evento. Não subestime o poder de motivação reflexiva capaz de ser obtida por um dedo doendo.

    Não sou realmente novo neste planeta, já se vão 4 décadas, e tenho uma forte resistência a tratar as pessoas como burras, nem por elas, eu é que não gosto desta dinâmica. Isto me faz mal.

    Homem batendo em mulher. Que coisa mais "démodé"!
    É bem difícil eu acreditar que ambos não tenham construído juntos a agressão. Não estou tentando legitimar nada aqui.
    Para ficar claro:
    Agressão para mim, só verbal e sem palavrões. Detesto violência, sou capaz até de bater em alguém. :-)

    Por que ambos concordaram em expor a criança a esta cena?
    Se, supostamente, o ponto mais importante ali é a criança, por que ambos não trabalharam rumo a preservação dela?